domingo, 14 de agosto de 2011

SONETO CV

Não chame meu amor de idolatria, 
Nem de ídolo realce a quem eu amo
E de uma só maneira eu o proclamo. 
É hoje e sempre o meu amor galante, 
Inalterável, em grande excelência; 
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença. 
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo; 
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento; 
E em tal mudança está tudo o que primo, 
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare

segunda-feira, 7 de março de 2011

SEPULCRAL

E no momento sepulcral

Do enterro do meu corpo

Encontrarei a paz afinal pois enfim estarei morto

De que me vale a juventude

Se a desperdiço pensando

Jovem sem atitude

Por pensar demais vai definhando

Sinto falta do que nunca tive

Quero coisas que nunca vi

Conheço lugares onde nunca estive

Sinto saudades de um tempo que não vivi

A dor e a angústia me consomem

Desespero maior não existe

Como pode alguém tão jovem

Dizer palavras tão tristes

O sombrio cemitério

E seu aspecto mortuário

É o fúnebre império

Do coveiro solitário

Eu sou a vida e a morte

Ambas habitam minha mente

Não sou fraco, nem sou forte

Sou simplesmente diferente

Minha vida é cheia de sonhos

Que nunca se tornam realidade

Minha mente é povoada demônios

Sou vítima de minha insanidade

Não notarão quando eu houver partido

Pois morrerei uma morte sem sentido

Como se eu nunca tivesse existido

Eu morrerei, porém sem nunca ter vivido

Estas figuras angelicais,

Que compõem esta doce paisagem,

Não estragarei mais,

Com minha sombria imagem.

Sonhei com você noite passada

Mas sonhos não valem nada

Pois sonhos são pura ilusão

E na vida sempre predomina a razão.